Um voo de liberdade
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   Por que falar sobre sentimentos é tão difícil?

   Eu sempre fico com a sensação de estar nua em meio a uma nevasca, ou um deserto de calor escaldante. Aquela vulnerabilidade da alma que parece que qualquer vento mais forte irá me desmontar por inteiro.

   As pessoas ao meu redor dizem que sou corajosa por me permitir ficar nua através das minhas palavras, sendo que isso faz eu me questionar se é coragem ou medo.

   Medo que não entendam aquilo que realmente estou pensando e sentindo, medo que não acreditem nas palavras que emito, medo que distorçam a realidade e não enxerguem minha essência.

   Como posso ser tão corajosa se tenho tanto medo?

   Talvez ter coragem seja exatamente isso: ter medo e ir com medo. 

   Talvez coragem seja saber reconhecer a existência do medo e a capacidade de dominá-los. 

   Porque, no fim, só há espaço para um de nós aqui e, se eu não dominar, o medo o fará.

   É como aquele mito sobre os dois lobos que residem dentro de nós, e que ganha o lobo que nós alimentamos.

   Se eu alimentar o lobo do medo, ele irá me devorar.

   Por isso que me ponho como caçadora: para caçá-lo, mesmo que eu precise ficar o mais vulnerável possível para enfrentá-lo.

   Talvez a coragem não seja apenas ir com medo, talvez seja se mostrar vulnerável, mesmo que a pessoa do outro lado tenha toda a capacidade de te destruir. 

   É um paradoxo. Para se ter coragem é preciso mostrar a própria vulnerabilidade. Coragem talvez não seja mostrar apenas força, mas saber reconhecer que se é fraco e então buscar a força na sua própria fraqueza.

   Faz sentido?

   Os últimos acontecimentos têm me deixado reflexiva. Talvez as pessoas ao meu redor tenham razão...

   Sou forte porque sei que sou fraca. Sou corajosa porque sei que tenho medo. Yin e Yang, os dois contrapontos de uma mesma balança para formar o equilíbrio.

   Humana e genuinamente humana.


Thyaly Diniz

Fonte: Adorocinema

Hey, vem cá! Senta aqui, vamos conversar?

Aceita uma água, um café ou um chá?

Hoje é dia de recomendar! Pega sua pipoca e cuidado com os heróis que escolhe... Hoje vamos falar sobre a queridinha do momento "The Boys"!




Sinopse: Em The Boys, quando a fama sobe à cabeça, alguns super-heróis passam a se corromper e usar seu status para se promoverem ainda mais, o que pode colocar em risco a própria população. Uma equipe independente de foras-da-lei, então, se prepara para cuidar do caso. Conhecidos como "Os Meninos", Billy Butcher (Karl Urban) e seus companheiros têm a missão de vigiar o trabalho dessas personalidades, assim como controlar o surgimento de novos heróis. Butcher alimenta um ódio pelos super-humanos desde que o líder do maior time de hérois dos EUA, Capitão Pátria (Antony Starr) estuprou e matou sua esposa. Ele jurou combater todos os falsos hérois espalhados pelo país. Após um terrível acidente, o jovem Hughie (Jack Quaid) acaba se juntado aos "Meninos" quando sua namorada é morta por A-Train (Jessie T. Usher), um super-herói com super-velocidade. Buscando justiça, eles descobrem grandes esquemas de corrupção envolvendo a empresa Vought, responsável pelo marketing e controle pessoal das equipes de herói pelo mundo.

Fonte: Adorocinema


Eu caí nessa série de paraquedas, após ver ela nos trends do Twitter. Fazia algum tempo que eu não fazia uma postagem recomendando algo, mas eu não estava conseguindo engajar nenhuma série (tirando Stranger Things) e também estou empacada nos livros que estou lendo (uns 20 ao mesmo tempo, talvez?). 

Essa resenha não conterá spoilers, apenas menções aos super-heróis da narrativa. Ah, ela também é apenas sobre a primeira temporada, ok? Ainda estou finalizando a série.

Com uma narrativa envolvente e repleta de críticas, "The Boys" fala sobre o perigo de colocarmos pessoas incompetentes em um lugar de forte influência e como essas pessoas podem prejudicar a sociedade como um todo.

Te lembra algo ou alguém?

Com debates fortes e analogias brilhantes, a série traz em um humor ácido e sarcástico críticas sobre a sociedade atual, utilizando-se da fachada de hérois, grandes estrelas que pregam aquilo de mais "bonito" para a sociedade, mas no fundo são todos hipócritas que buscam apenas os próprios interesses. 

Os Sete, que são o alto escalão dos heróis, servem como o exemplo para toda a humanidade da série, e, apesar de pregarem uma imagem impecável, por trás dos holofotes existe muito jogo de poder e interesse em nome do dinheiro, com cada um deles fazendo coisas questionáveis para se manterem no sucesso e com poderes.

Porém, não se engane, não são os poderes mágicos ou afins, mas sim os poderes políticos.

De forma genial, a série mostra o jogo de poder e dinheiro por trás da fachada de cada herói, com o núcleo principal, o "The Boys", quatro caras que sofreram de forma direta ou indireta com relação aos "super", tentando desmascará-los e conseguir apoio do governo para derrubar esse sistema que só faz cada vez mais vítimas.



Seguindo uma lógica de nada é o que parece ser, a série traz personagens cativantes e envolventes, com passados e personalidades bem construídas que vai te fazer se apegar a eles. Até mesmo os "vilões" da história possuem algum passado conturbado que te provoca algum tipo de empatia e de entender o porquê dele ser assim.

A série já conta com três temporadas muito bem sucedidas e um elenco de peso que entrega muita atuação naquilo que se compromete.

Com plot twists de tirar o fôlego, críticas fortes sobre a sociedade atual, "The Boys" é uma série que vai te fazer pensar sobre tudo e te fazer questionar o rumo que a humanidade está tomando.

A série está disponível no Amazon Prime e conta com oito episódios cada temporada.

O que você faria se tivesse a chance de ser um super-herói, mas para isso tivesse que abrir mão de tudo o que defende e acredita?

The Boys vem para colocar exatamente isso em cheque: até onde você iria para ter poder?

E aí, gostaram da recomendação? Me diz nos comentários!


Um xêro, 

Thya

Fonte: Unplash



 "Tenho que escrever uma poesia

Mas meu coração está seco

E meus olhos, cansados

A ponto de eu não encontrar mais rima

Além daquelas

De uma alma em frangalhos


Sou aquela poeta

Desesperada pelas palavras

Implorando aos céus

Para que alguém decida fazer morada


Uma linha aqui e ali

Num barroco suave

De uma poeta repleta de saudades

Que cansou de insistir


Amara,

Cantara,

Dançara,

Chorara,

Se entregara


O pretérito mais que perfeito

Que um dia teve fim

Naquele um de agosto

Em que finalmente decidiu ir


Fechar o ciclo e o próprio livro

Daquele amor finito

Que não restou qualquer outra escolha

A não ser fingir


Que aquela paixão

Não foi nada mais

Do que um benção destino

Numa amostra grátis

Do que era ser feliz"


Thyaly Diniz

fonte: Pexels


Eu não sei quanto tempo dura a crise dos vinte. Também não sei se, por conta da pandemia, ela está se prorrogando mais do que o esperado.

Detesto essa sensação que nada está onde deveria estar, como se tudo tivesse tomado um outro rumo além do planejado. 

Passar quase três anos dentro de casa por conta da pandemia mexeu bastante comigo. Tenho revisto pessoas que antes participavam ativamente da minha vida, mas tudo mudou. Na verdade, algumas dessas pessoas não mudaram nada, mas eu mudei. Eu não sou mais a mesma. 

E, por mais irônico que pareça, estou passando o mesmo dilema que já passei antes, mas em um local que jamais imaginei que passaria, porque, bem, esse local era o meu refúgio.

Não tem como, acho que a crise dos vinte atinge qualquer lugar que a gente esteja justamente porque envolve quem tá passando.

As pessoas estão saindo da minha vida e seguindo seus próprios caminhos. Minha eu de anos atrás estaria aos prantos, fazendo de tudo para permanecer.

Minha eu de hoje só olha e diz "vai na luz".

Meu ciclo de amigos está cada vez se afunilando, mas, ao invés do que aconteceu no término do meu ensino médio, eu não sinto aquela urgência ou desespero de antes. Não resta mágoas, sentimentos ruins ou qualquer coisa do tipo, apenas uma sensação de neutralidade que diz "acontece, faz parte da vida".

É como se a vida tivesse mostrado que são diferentes os tipos de amigos para as diversas situações e que apenas poucos conseguirão abranger todos os campos.

Por exemplo, como aquele vídeo da jout jout: tem o amigo da festa, o amigo do chá da tarde, o amigo da viagem...

Eu mesma sou a amiga do chá da tarde, porque já nasci velha, mas vou para uma festa aqui e ali (poucas nos anos, talvez no máximo duas).

Só... tudo parece meio deslocado ultimamente. Não sei se são as coisas ao meu redor ou se sou eu que mudei demais e não me encaixo onde me encaixava antes.

Não sou mais a mesma e estou confrontando isso todas as vezes que encontro as pessoas do meu passado, pois a imagem que elas tem minha, não existe mais. Não sei se estou enfrentando essa crise existencial tarde demais, mas, honestamente? Eu não me importo. Algo que aprendi é que temos tempos diferentes.

E aí que eu me questiono: como eu pude um dia me encaixar aqui? Como um dia eu pude achar que esse era o meu lugar? Como pude achar se tudo isso vai contra quem eu sou?

Mudar é mesmo um dilema.

E aí, você vai ver e a pessoa mudou, você também mudou, tudo mudou...
Mudanças são sempre necessárias, mas ninguém disse que elas são fáceis.

Há momentos em que não se tem uma única pessoa para conversar, porque a vida adulta... ela atropela a gente sem parada para prestar socorro. Se você não se fizer presente na vida das pessoas, bem, o tempo é cruel e vai se encarregar de ocupar o espaço que antes você ocupava.

Minha melhor amiga me disse isso e ela tem razão.

E isso dói. Constatar isso dói.

Sendo que, não tem como você fazer algo sozinho, não tem como você manter algo sozinho, isso é algo que a vida adulta também te ensina. Você precisa que o outro também queira.

E aí que vem a pior e mais dolorosa parte: o outro muitas vezes não quer.

Então só te resta deixar ir, seguir seu próprio caminho e talvez se esbarrar por aí, com a mente mais madura e o coração mais leve.

Porque a vida, meus leitores, a vida acontece.


Um xêro,
Thya

 

Fonte: Unsplash

Começando tudo de novo e de novo
Isolada entre quatro paredes brancas
Um looping num céu sem cores

Azul era minha cor favorita
Mas agora, não gosto desse sentimento azul

Com carros indo e vindo
Um sentimento de vai e vem feito uma barca
É o sentimento azul, eu deveria estar acostumada

Azul era minha cor favorita
Mas agora não gosto desse sentimento azul

Não chove e nem faz sol
É um quase que não vai
Um quase que não fica
Estou cansada, não há motivos, mas também há

Azul era minha cor favorita
Mas agora não gosto desse sentimento azul

Com versos que não se completam
Sou a bagunça de suor e choro
Pulmões que se enchem de ar
Como se pudessem explodir

É uma daquelas noites solitárias
Em que coisas fizeram sentido
Estou seguindo meu caminho
Em um silêncio que só eu entendo

Me disseram que a caminhada para os sonhos
Não tinha uma estrada fácil
Mas jamais imaginei
Que seria tão difícil assim

Azul era minha cor favorita
Mas agora não gosto desse sentimento azul

O céu está azul
O ar está azul
Meu quarto está azul
Eu estou azul
Não gosto desse sentimento azul

Esses são meus passos
Na solitária estrada dos sonhos
O sentimento azul em busca do arco-íris
Todas as outras 6 cores que me faltam
Azul era minha cor favorita
Agora eu quero todas as outras

— Azul


Thyaly DIniz



Eu sou jovem, mas também sou velha. 

Jovem demais por não ter vivido tudo que ainda se há para viver. Velha demais para viver coisas pela primeira vez. 

Tenho cicatrizes que estão se curando, amores que me queimaram e me fizeram renascer, dores que eu espero um dia esquecer. 

Tenho traumas que marcaram minha alma, feito pelas mãos amigas que juraram me proteger, colocando-me em potes ao invés de me incentivar a voar tão alto quanto aquilo que sempre sonhei ser. 

Enjaulou-me de forma sutil, com grilhões que prenderam minhas pernas, mostrando o brilho das estrelas, sem jamais me deixar tocá-las, numa gaiola podre e mal cuidada, deixando-me faminta e me entregando migalhas, me fazendo acreditar que a culpa era minha por estar naquele lugar. 

Um objeto para estar ali pelo seu bel prazer, brilhando exclusivamente para alguém que pensei conhecer. 

Eu não deveria ter confiado na mão amiga que me deu o braço, para então me apunhalar lentamente, me fazendo crer que as asas que eu possuía, ninguém mais deveria ver.

As mesmas mãos amigas que juraram um amor apaixonado, mas que apontaram todos os meus traços como se imperfeita eu não pudesse ser.

Três invernos se passaram, (ou foram quatro?), me fazendo acreditar que o verão jamais iria chegar,  e tudo o que eu pude fazer foi acreditar que aquela jaula era o meu lugar.

Nas migalhas envenenadas, entregues por uma cobra, entrou em minha cabeça de forma ardilosa, me levando a aceitar que coisa melhor eu jamais iria achar.

Achei merecer apenas as poucas e vazias palavras, porque me fizeram acreditar que eu deveria emagrecer, mesmo estando faminta de amor, sem pensar que aquela dieta iria me adoecer.

Foram palavras ácidas disfarçadas em sorrisos, gestos sutis acompanhados por uma voz mansa. Nesse balé confuso de gestos ensaiados, fui presa no meio da dança de um discurso vitimizado. 

Bêbada daquilo que não era realidade, não percebi as cicatrizes deixadas em meu corpo que marcaram minha alma. Não foi um tom mais alto ou sequer gritado, foi aquela voz mansa de alguém que se colocava como pobre coitado.

Mas a Lua sempre brilhou e me guiou para que eu a alcançasse, mostrando todo o seu esplendor através das grades da mentira. A luz me fortaleceu e eu quebrei os grilhões que me prendiam naquela gaiola montada por um ego frágil, um manipulador consagrado.

Como uma fênix renascida das cinzas, o fogo queimou meu peito e eu relembrei que era muito mais forte do que tentaram me desacreditar, porque eu sou a guerreira que jamais deixou de lutar, que deu a cara a tapa no meio da batalha, domando leões no meio de uma guerra de palavras.

Então alcei voo em direção a Lua, para alcançar as estrelas com os dedos, e só assim eu pude ver, que aquelas mãos, amigas não podiam ser.

Com todo aquele estrago ao meu redor, não foi difícil entender, que aquele caos tentou me enfraquecer.

Tudo se esclareceu e eu percebi que mamãe tem razão. "Pobre de espírito" ela disse. "Sem amor e coração, buscando se preencher com aquilo que não existe".

 As mãos se esqueceram que eu sou a fênix que renasce das cinzas, e assim eu pude me reerguer e ver que a culpa nunca foi minha, mas apenas daquele que manipulou a realidade enquanto eu gritava a verdade que finalmente encontrou a luz do dia. 



Thyaly Diniz



Fonte: Abdulkarim Tabaneh


Tentei fugir da Cidade

Porque os fantasmas das minhas lembranças

Insistem em me assombrar

Com a sutil delicadeza do passado

Que jamais irá se reprisar

Numa tentativa vã de me acordar

Que aqui não é o seu lugar

Me forçando a encarar 

A realidade que não quero acreditar

-- Achei não ter mais nada a dizer


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Tenho 24 anos de pura arte, que corre em minhas veias como paixão, pois mesmo que meus pés estejam firmes no chão, meus olhos sempre estarão voltados para as estrelas.

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